Thursday, February 14, 2013

Amizade: Que Bicho é Este?


Pelo Rev. Jose Oliveira

Como podemos definir amizade? Algo tão belo e simples, mas um tanto quanto dificil de explicar. Nestas horas, ficamos curiosos para saber o que o dicionário diz a respeito. Veja o que o Dicionário Aurélio Sécuo XXI diz: “Sentimento fiel de afeição, simpatia, estima ou ternura entre pessoas que geralmente não são ligadas por laços de família ou por atração sexual”. Esta definição reflete a dificuldade de se explicar o que amizade é, e como destinguí-la de outros sentimentos; neste caso, o autor encontra sua distinção em que “geralmente não são ligadas por laços de familia ou atração sexual”, como que excluindo esses relacionamentos de serem chamados “amizade”. Alguém definiu amizade como “um tipo de união que tem por base a comunicação, apoio mútuo, compreensão e carinho entre as pessoas”. Essa é uma boa definição, sendo minha única objeção a palavra “união” para descrever amizade. Parece me que “união” é muito forte, muito formal e oficial para definir amizade. Para definir amizade eu buscaria as suas características mais básicas, levando em conta que amizade pode se expressar em várias circunstancias, modos e graus.

1. AMIZADE É UMA ASSOCIAÇÃO HUMANA BASEADA NA SIMPATIA MÚTUA.
A simpatia que menciono aqui não é do tipo “simpatia pra achar marido”, mas é aquela atração mútua que acontece não somente entre humanos, mas também entre alguns seres mais elevados do mundo animal. Simpatia vem de uma palavra grega que significa “unidos pelo mesmo sentimento”. Creio que a essência da amizade está neste conceito, duas pessoas se tornam amigas porque descobrem que simplesmente gostam uma da outra – existe uma simpatia mútua. Portanto, para se tornar amigo, não basta gostar da mesma coisas, é preciso gostar um do outro da mesma maneira.

2. AMIZADE É UMA ASSOCIAÇÃO HUMANA QUE SE BASTA A SI MESMA.
Amizade não requer contratos, certificados, recibos, nada disso. Amizade é a relação mais não-oficial das relacões humanas e contudo, é comprovadamente a mais duradoura. Em geral amigos amigos são feitos expontâneamente, sem nenhuma formalidade. Você não precisa pedir alguem para ser seu amigo, como pediria para uma garota ser a sua namorada. O compromisso da amizade não é oficial, obrigatório, no entando é um dos que se levam mais a sério na vida. Há pessoas que lamentam mais perder um amigo ou amiga, do que perder o marido ou a mulher. Alguns podem viver sem o amor do cônjuge, mas não podem viver sem a amizade de um amigo ou amiga. Para o amigo, basta saber que é amigo; ainda que distantes, os verdadeiros amigos nunca se esquecem e quando se encontram depois de muitos anos, parece que se viram ainda ontem.

3. AMIZADE É UMA ASSOCIAÇÃO HUMANA QUE CABE EM QUALQUER RELAÇÃO.
Deus nos pede que amemos a todos, até mesmo aos nossos inimigos, mas não pede que sejamos amigos de todos. É mais fácil se tornar um inimigo do que um amigo, pois para se tornar iniimigo, somente temos que não respeitar as diferenças, mas para para ser amigo, gostamos de uma pessoa apesar das diferenças... Isto explica a amizade entre pessoas de diferentes idades, ocupação, classe social, raça, cor, sexo e ate mesmo entre humanos e animais. A amizade incrementa as relacões oficiais da vida como as conjugais, familiares, professionais, estudantis. Desta maneira, as relações oficiais que mais perduram na vida, são aquelas que têm uma verdadeira amizade como base: casais se dão melhor no casamento quando são “amigos um do outro”, sócios são melhor sucedidos quando são também amigos, pais e filhos se relacionam melhor se há verdadeira amizade entre eles e assim por diante.

E assim, queridos, neste Dia Americano da Amizade "Valentine's Day", quis refletir no que amizade significa para qualquer um. Outras características podem ser adicionadas, mas creio que estas três são básicas para se entender este sentimento simples, valioso e muitas vezes inexplicável. Uns gostariam de dizer que amizade é simplesmente amar... Eu acredito que sem a capacidade de amar, é impossível fazer-se amigos, mas não diria que amizade é sinônimo de amor. O que distingue a amizade do amor é que a amizade tem que ser mútua, o amor não.

Rev. Jose Oliveira

O Rev. Jose Oliveira é um ministro presbiteriano, fundador e diretor do Instituto Teológico Simonton, uma escola teológica online oferencendo programas se Teologia nos níveis Básico, Bacharel e Mestrado. Se você estiver interessado em estudar Teologia Online, clique abaixo:
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O QUE É “AMAR DE VERDADE” ?

Primeiramente, deixe me dizer que se não amar de verdade, não é amar, por que a verdade é essencial ao amor. Não há amor à parte da verdade. Amor é aquele que é verdadeiro por natureza, se o amor não é verdadeiro, não é amor, porque não há “amor falso”; se é falso, não é amor. Porém, não suba neste cavalo com tanto ímpeto que caia do outro lado. Verdade é necessária ao amor, mas por ser verdadeiro, não significa que o amor é perfeito. A perfeição do amor é relativa à perfeição do seu agente; e, perfeição absoluta só existe na Trindade; portanto amor absolutamente perfeito só pode ser encontrado no Pai, no Filho, e no Espírito. Desta maneira, o amor pode ser genuíno, mas ainda imperfeito, e, como sabemos, assim é o amor humano. Portanto, “amar de verdade” não existe; existe simplesmente amar. Assim, se quisermos saber o que é amar, simplesmente devemos refletir nas caracteristicas do Amor. Dentre as muitas, gostaria de apresentar três:

1. O AMOR É ESSENCIALMENTE ALTRUÍSTA.
“Altruísta” é o oposto de egoísta. Egoísta é aquele que põe a si mesmo antes de tudo e todos; o altruísta é aquele põe o semelhante antes de si mesmo. Jesus é o nosso maior exemplo de altruísmo, pois sempre pensava nos demais antes que em si mesmo. Um dos seus melhores imitadores foi o Apóstolo Paulo que disse “Ninguém se preocupe comigo mais do que em vê, ou de mim ouve”. Ele não queria que o cuidado com ele fosse exagerado. Muitos hoje querem amar para receber amor em troca. Quem ama não negocia o seu amor. Ama mesmo quando não é amado, por que amar faz parte de seu caráter -- lhe é impossível não amar. Contudo, não é mau querer ser amado; mas amor não é algo que pode ser exigido; amor atrai amor, portanto se queremos ser amados, a única coisa que podemos fazer é amar.

2. O AMOR É ESSENCIALMENTE DOADOR.
Doar de si mesmo, voluntária e desinteresssadamente é uma das características mais exclusiva do amor. Doar é diferente de emprestar, investir ou vender. Quem empresta quer de volta, quem investe quer dividendos e quem vende quer ter lucro. Doar não busca nada disso. Doar é, eu diria, sinônimo de Graça, como ensinada na teologia cristã: um favor necessitado, imerecido (ainda que eu não goste muito de utilizar este termo pois se aplico ao meu amor, pode parecer soberba e orgulho, diminuindo o seu recipiente), impagável, e, muitas vezes não-solicitado. Isto, eu diria, é a essência do amor de Deus e o modelo para o nosso amor. Quem ama dá de si mesmo ao seu semelhante. Amar é partilhar a sua vida com os demais.

3. O AMOR É ESSENCIALMENTE BENÉFICO.
Porisso, vamos logo de início, dizer que não existe “vingança por amor”; sacrificar e perder a própria vida por amor de outros pode ser uma expressão de amor, mas eu estou completamente convencido de que o amor não causa danos com malícia, nem a si mesmo nem a outros. Amor “não vira ódio”, o amor sempre procura o bem do semelhante, mesmo antes que o seu próprio, mesmo após ser ferido. É esse o ensino de Jesus: “Se lhe obrigarem andar uma milha, vai com ele duas”. “Amai aos vossos inimigos; se amais somente aos que vos amam, que vantagem há nisto?”. O amor é ativamente benéfico; não simplesmente se abastém de causar mal alguém, mas principalmente procura o bem do semelhante em primeiro lugar. Como diz o ditado, “Fazer o bem sem olhar a quem”.

Assim, queridos, “amar de verdade” é simplesmente amar. A verdade é essencial ao amor. Se o amor não for verdadeiro, não é amor. Para aqueles que tem alguma dificuldade de reconher o amor, neste artigo oferecemos três características inconfundíveis do amor: éle é essencialmente altruísta, procurando o bem dos demais, mais do que a si mesmo; é doador, no sentido que dá de si mesmo sem esperar retorno algum e, por fim, é benéfico, isto é, é sempre isento de malícia -- a intenção de causar mal a alguém -- e ativamente procura o bem do próximo. Agora, seres humanos são seres complexos, capazes tanto de amor como de ódio. Se você ocasionalmente sente ódio por alguém, não quer dizer que não ame, mas pode significar que o seu amor é, como de muitos, imaturo, que você ainda não sabe amar adequadamente. Ódio e amor automaticamente se excluem; o amor não se apega ao que é mau, e é incapaz de ódio, pois o ódio é destrutivo e amor, como sabemos, construtivo. Jesus disse: “O ladrão vem somente para roubar, matar e destruir (malícia) eu vim para que tenham vida e a a tenham em abundância (amor).”


Rev. José Oliveira

O Rev. Jose Oliveira é um ministro presbiteriano, fundador e diretor do Instituto Teológico Simonton, uma escola teológica online oferencendo programas de Teologia nos níveis Básico, Bacharel e Mestrado. Se você estiver interessado em estudar Teologia Online, clique abaixo:
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Tuesday, April 3, 2012

AMAR COM INTELIGÊNCIA

Pelo Rev. Jose Oliveira, M.Div.

la-inteligencia-del-amor“Quando você ama, fica bobo”, “Amor é sinônimo de fraqueza” “Não existe nada mais ingênuo do que o amor”. Estes são alguns dos pensamentos que pessoas alimentam a respeito do amor. Será que é verdade? É o amor desta maneira? Em minha opinião, estas são visões distorcidas do amor, por que vêm o amor do ponto de vista da dominação, do levar vantagem, do estar por cima e principalmente vêm amor como uma disputa ou um jogo. O amor, por ser singelo, pode parecer a algumas pessoas, algo fraco, ingênuo e bobo, mas quem pensa assim, provavelmente não conhece o verdadeiro amor. Em minha opinião, não existe nada mais inteligente do que amar. Amar é racional, mas não é racionalista, amor é sábio e, ainda que seja enganado, não é anulado, por que amar é o melhor a ser feito em todas as ocasiões. Neste artigo vou abordar três aspectos que têm a ver com o amor sendo algo inteligente... Num primeiro momento, você pode pensar que estes aspectos não revelam a inteligência do amor, mas meu propósito é ajudar o leitor a compreender como o amor opera e somente quando você compreende algo, você esta utilizando a inteligência.

Primeiramente, o amor é inteligente por que é coerente com a verdade. A verdade, de fato não precisa do amor se revelar, porque verdade é a respeito de fatos, ou seja, a coerência entre a existência e a percepção desta. Quando a percepção produz uma lógica do fato, isto é tomado como verdade, e o amor não necessariamente é parte disso. Contudo, o amor necessita da verdade para se expressar, pois o amor não é verdadeiro amor se não for baseado na verdade. Igualmente, tome-se em conta de que a verdade possui níveis de compreensão, o que alguns referem como a “relatividade da verdade”. Não obstante, mesmo em cada nível, a verdade faz uma correlação coerente com os fatos. O amor sempre se utiliza de algum nível de verdade para se expressar, porque o amor nunca pode se basear na mentira, isto é, a invenção ou distorção proposital da verdade. Interessantemente, demonstrar amor baseado na verdade, significa muitas vezes, omitir certos aspectos da verdade por amor à pessoa amada. Jesus, quando ensinando os seus discípulos, disse-lhes: “Muitas coisas vos teria para dizer, mas vós não podeis suportar”. Note que Jesus não inventou algo. Ele disse a verdade: que não poderia dizer toda a verdade. Neste caso, devido à limitação dos apóstolos, Jesus não lhes revelou toda a verdade que sabia. O amor educa com a verdade, mas de acordo com a capacidade do educando. Jesus expressou amor aos seus ouvintes quando pregava por meio de parábolas, pois através delas, dizia verdades essenciais, mas que cada um interpretava segundo o seu próprio nível de compreensão. O mesmo fazem os pais, quando adaptam (não inventam) as respostas às perguntas das suas crianças ao nível destas... A revelação da verdade, como sabemos, é progressiva, e, desde que Deus, que é infinito, é a Verdade pura e eterna, sempre haverá algum aspecto da verdade a aprender em toda a eternidade. A verdade que o amor expressa é sempre temperada com amor. A verdade crua e nua pode até mesmo matar uma pessoa. Isso foi o que aconteceu no Livro dos Juízes, quando Eli, o sacerdote, soube que os seus dois filhos tinham sido mortos na batalha. Provavelmente um ataque cardíaco o matou. O amor nos ajuda a não expressarmos a verdade com rudeza ou desconsideração pelo bem-estar do indivíduo. O amor nos ajuda a escolher a melhor maneira de dizer a verdade, não querendo ofender, mas beneficiar de alguma maneira. Nem sempre omitir ou suavizar a verdade é o melhor a fazer. Às vezes é necessário,também por amor, falar a verdade direta e claramente. Assim, os pais, quando pensando exclusivamente no bem dos filhos, e não por ressentimento ou orgulho ferido, os repreendem, dizendo-lhes a verdade claramente, por mais dolorida que esta possa ser, estão agindo com amor. Amigos, em certas circunstâncias, devem agir da mesma maneira, se percebem que a pessoa querida necessita saber a verdade claramente, mesmo com risco de ofender... De fato, o amor mesmo quando tem as melhores intenções, e pensa exclusivamente no bem do outro, pode ser mal entendido, e isso é, de certo modo, fora do controle de quem ama, pois depende da reação do outro. Jesus foi mal compreendido. Uns pensavam que era uma pessoa de bem, como de fato era; mas outros, pensavam e ainda pensam hoje, que era um charlatão... Nem sempre a verdade, mesmo que dita com amor, será sempre aceita, pois muitos ouvem de acordo com o que querem ouvir.

Em segundo lugar, o amor é inteligente por que é beneficente. O alvo primeiro do amor é beneficiar ao outro, nunca prejudicar. Alguns dizem que devemos agir tendo em vista o “bem-maior”, mesmo que para realizá-lo, podemos causar males menores. A regra aqui deveria ser que não devemos , com o intuito de se produzir um “bem maior”, fazer algo que vá diretamente prejudicar a terceiros, por menor que seja o mal produzido. Jesus disse para amarmos nossos inimigos e orarmos pelos que nos perseguem. Mesmo o bem do inimigo deve ser levado em conta em nossas atitudes. Ele também disse para não resistirmos aos perversos. Os perversos usam de violência para conseguir seus propósitos, e para resisti-lo, ter-se-ia que usar também de violência, o que o amor não admite. De acordo com isso, a opção é responder à violência, sem utilizar a violência, isto é responder com amor, ainda que sofrendo, se necessário. Jesus não disse que deveríamos nos expor ingenuamente à violência, antes, ele nos recomendou que fugíssemos dos que nos perseguissem. Se a violência é contra você mesmo, geralmente há duas maneiras amorosas de se reagir a ela: fugir dela, ou sofrê-la sem reagir com violência. Se a violência é contra o próximo e está no seu alcance defendê-lo, o amor deve ser expresso tanto em relação ao agressor como à vitima. A vítima deve ser protegida, e a agressor deve ser neutralizado, se possível. Essa neutralização pode utilizar três métodos: dialogar com o agressor para dissuadi-lo da agressão, retirar a vítima do curso da agressão, ou, se necessário, proteger a vítima interpondo-se, sem violência, entre a vítima e o agressor, sofrendo você mesmo, a violência. O amor é inteligente por que é criativo e seu objetivo é promover o bem de todos, não somente de alguns. O amor não se imobiliza diante da violência, age, contudo, sem violência. O amor também não se imobiliza diante do volume da necessidade. Sabemos que devemos amar a todos os seres humanos e se importar com as suas mazelas, mesmo se distante. Se eu, por estar distante não posso ajudar as crianças que morrem de fome na África e em outros lugares do mundo, posso, contudo, ajudar as crianças de rua da minha cidade, ou as do orfanato local... Devemos amar o semelhante (qualquer um em todo o mundo) e ao próximo, ou seja, o meu vizinho, colega de classe, amigo de trabalho, etc. A minha impossibilidade de ajudar a todos não é desculpa para não ajudar a nenhum. É a inteligência do amor que mostra em muitas situações, a sua audácia. O amor se atreve a ajudar, mesmo quando parece impossível.

Finalmente, o amor é independente. Digo independente, não no sentido de que o amor recusa a cooperação; ao contrário, o amor busca cooperação, para que os benefícios de se amar sejam ainda mais amplos. Contudo quem ama, o faz mesmo sem a ajuda de outros. A falta de cooperação não deve ser uma escusa para não se fazer nada. Nos momentos finais de sua carreira, todos abandonaram a Jesus e ele enfrentou a cruz sozinho. Ele não se tornou amargurado por isto, continuou a amar da mesma maneira, e mesmo quando pendurado ali, no topo daquela cruz, ele amou o suficiente para interceder pelos seus executores diante do Pai, dizendo: “Pai, perdoa-lhes por que não sabem o que fazem”. Que amor! Que amor! Que amor! Mesmo quando abandonado, ultrajado e crucificado, ele amou! Essa autonomia do amor é também parte de sua força, porque, para ser manifestado, o amor depende somente do indivíduo, isto é, de mim. A independência do amor não é individualismo, quem ama não deseja ser o único a amar, mas quer que todos tenham a oportunidade de amar. Jesus amou tão radicalmente para nos deixar o exemplo maior, para que todos possamos amar. O amor jamais se escusa e sempre se voluntaria. Por outro lado, mesmo que muitas pessoas estão demonstrando amor em uma dada circunstância, isto não significa que o seu amor não é necessário, porque, amar, nunca é demais.

E assim, através de estudar estes aspectos do amor, coerência, beneficência e independência, mostramos que o amor é, de fato, inteligente, pois é companheiro da verdade, promotor do bem e independente. Amar com inteligência é amar com estes princípios em mente; se assim fizermos com diligência, amaremos de uma maneira nobre, não ingênua; efetiva, não ilusória; e, constante, pois amar, só depende de nós mesmos.

Rev. José Oliveira, o autor deste artigo é ministro presbiteriano, atualmente vivendo nos Estados Unidos e o diretor do Instituto Teológico Simonton, uma escola de teologia online, com cursos de Teologia e Filosofia nos níveis básico, bacharel, e mestrado. Se você gostaria de saber mais a respeito desses cursos, por favor, clique no link abaixo.

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Sunday, April 1, 2012

Amar Mesmo Quando Dificil

pelo Rev. Jose Oliveira, M.Div.

Amar não é fácil não. Se fosse, esse nosso mundo seria uma maravilha. Reconheçamos: amar incondicionalmente, incessantemente, intensamente – é difícil. Apesar disso, amar é a melhor coisa do mundo; concorda, ou não? Um amigo no Facebook discordou e escreveu: “Amar é a coisa mais dolorida do mundo”. Eu sei que amar pode, muitas vezes, ser dolorido -- eu mesmo experimentei isso muitas vezes. Mas, com o tempo cheguei à conclusão que amar é dolorido quando você mistura amor com o que não pertence ao amor: a expectativa de ser amado em retorno, principalmente quando você espera ser amado da mesma maneira que você ama, ou melhor... Amor atrai amor, mas depende se a outra pessoa é sensível ao amor e possui verdadeiro amor para dar, porque, amor verdadeiro atrai verdadeiro amor. Se o outro lado não tem verdadeiro amor, não existirá reciprocidade amorosa.

Contudo, o verdadeiro amor, embora se regozije em receber amor em retorno, não alimenta uma expectativa egoísta a esse respeito; o verdadeiro amor se regozija com o amor que recebe em retorno porque ser amado é bom, e porque quem ama verdadeiramente se regozija em saber que seu gesto de amor reproduziu amor em alguém... Mas, à parte disso, verdadeira amor não espera paga alguma por amor. Quem ama verdadeiramente se completa no simples gesto de amar; não espera ser amado de volta, isto é, ser amado não é uma condição ao verdadeiro amor. Essa é uma das razões porque as pessoas sofrem quando pensam que estão amando, mas estão “amando” somente para serem amadas em retorno, porque nossas expectativas nem sempre se concretizam. Não há nada de errado em querer ser amado; todos o desejamos, mas, algo interessante a respeito disso é que não podemos exigir que alguém nos ame, pois uma das mais importantes características do amor é que o amor é voluntário, espontâneo – não pode ser exigido, cobrado ou forçado de qualquer maneira. Pode sim ser estimulado, atraído, mas não pode ser constrangido de maneira alguma. Existem, segundo eu vejo, três razões por que amar é difícil.

Primeira, por que amar é um algo espiritual. O amor vem de Deus, porque Deus é amor. Deus é espírito, portanto, o amor é espiritual. Mas, nós somos seres duais, carne e espírito. Temos duas naturezas: uma animal, que herdamos da evolução da raça humana no mundo animal; e, uma divina, em nossa alma, que é fruto da habitação do Espírito de Deus que habita em nós, aquele que foi derramado sobre toda a carne, depois da ascensão de Jesus, no dia de Pentecostes. Assim, como o apóstolo Paulo dizia, com o espírito tenho prazer nas coisas de Deus, espirituais, como o amor, por exemplo; mas a carne tem prazer naquilo que é caracteristicamente animal. O mais agudo instinto da natureza animal é o de sobrevivência. É desse instinto animal que dá origem ao egoísmo humano, pois demanda que o ser humano pense em si mesmo em primeiro lugar, pois disso depende a sua sobrevivência. A natureza animal assim age, porque somente reage ao que é material e animal, não possui compreensão espiritual. Mas o Espírito, que vem de Deus, é, como Deus, tem vida em si mesmo, não se preocupa com a própria sobrevivência – ao contrário, se preocupa com os outros. O espírito é amoroso aos outros, altruísta; a carne, o instinto animal, é cioso de si mesmo, egoísta. Portanto, uma das razões porque amar é difícil se encontra neste conflito provindo dessas duas naturezas existentes em nós. Amar é difícil, porque, sendo algo espiritual, é contra a natureza carnal, animal. Porem, não se pense que a natureza animal é, como muitos dizem, originalmente pecaminosa... Não o é, segundo eu vejo; pois foi criada por Deus, e fazê-la intrinsecamente pecaminosa, seria dizer que Deus é a origem do pecado, que sabemos, não é verdade. Mas, essas duas tendências divergentes, causam conflito que pode dar ocasião a decisões pecaminosas. Contudo, é a nossa natureza espiritual que nos faz seres humanos, superiores ao resto do reino do animal, portanto, o espírito, do qual o amor é o primeiro e mais importante fruto, deve reger as decisões humanas.

A segunda razão pela qual é difícil amar se encontra no fato de que as pessoas, em geral, não estão acostumadas a serem verdadeiramente, incondicionalmente amadas. Por isso, muitas não compreendem e às vezes até mesmo duvidam (talvez porque elas mesmas se veem incapazes de tal amor) que exista verdadeiro amor. Em geral pessoas assim não conhecem o amor de Deus e, possivelmente, não possuem uma relação pessoal com Deus. Sem conhecer o amor de Deus, mesmo que as pessoas estejam desesperadamente necessitadas de amor, não conseguem se sentir amadas, pois têm dificuldade até mesmo em reconhecer o que é o verdadeiro amor, quando este lhes é oferecido. Mas, o verdadeiro amor ama, apesar dos obstáculos, sejam quais forem... Ama contra a correnteza, contra o vento -- pois é quando há resistência ao amor que este mais se faz necessário e mais real se mostra.

Finalmente, a terceira razão pela qual é difícil amar, é devido à presença do mal e pecado no mundo. Mal não tem existência própria, como se fosse o oposto a Deus... Deus não possui causa, o mal, porém, tem uma causa: a incapacidade ou recusa do ser humano escolher a vontade de Deus em suas decisões diárias, a qual nos é indicada constantemente pelo Espírito de Deus que habita em cada ser humano moralmente responsável. No Paraíso, onde Deus­-Pai reside, não há mal ou pecado algum, pois com ele habita a perfeição. Mas, em nossa dimensão finita e temporal, e em nossa presente situação, habitando este tabernáculo animal, existindo temporariamente neste mundo, onde decidimos ou não seguir a vontade de Deus – para nós, nestas condições, o mal e o pecado são realidades concretas – porque todos seres humanos moralmente responsáveis, com exceção de Jesus de Nazaré, o Filho de Deus encarnado, eventualmente praticam o mal e pecado. É difícil amar em um mundo contaminado pelo mal e pecado como o nosso. Mal, pode ser definido como a ausência do amor. João, o apóstolo, colocou este pensamento em termos de luz e trevas. Ele disse que as trevas não prevalecem contra a luz, pelo contrário, a luz lança fora a trevas. E, onde não há luz, inevitavelmente haverá trevas. Onde não há amor, o mal e o pecado se fazem presentes. Contudo, apesar do mal tornar o trabalho do amor mais difícil, também o torna ainda mais significativo, pois é onde o mal e o pecado causaram destruição e dor, que o amor é mais relevante e necessário. Essa foi a razão pela qual o Filho de Deus escolheu vir a este mundo, onde o mal e o pecado haviam comprometido a criação de Deus de tal maneira que moveu o grande amor do Soberano Senhor deste Universo a decidir vir pessoalmente ao nosso mundo e ministrar-nos, como ninguém o fez antes, o amor de Deus. Amar o ser humano na condição deplorável em que se encontrava neste mundo foi um desafio para Jesus de Nazaré, mas, igualmente, foi a condição ideal para que ele fizesse aqui, e para testemunho até aos anjos, a maior demonstração do amor de Deus que este Universo já presenciou. Ele não desistiu, pois “havendo amado os seus que estavam no mundo, os amou até o fim”, e nós sabemos qual foi o fim: a cruz. O verdadeiro amor paga até o mais alto preço, a própria vida, para expressar-se em sua totalidade, e Jesus nos deu o mais belo e perfeito exemplo de amor – viver e morrer por amor ao próximo.

Sim, amar é difícil – mas não é impossível. Certamente não vamos expressá-lo perfeitamente em todos os momentos da vida, como Jesus o fez, mas, seguindo o exemplo dele, podemos mostrar, cada dia melhor, o verdadeiro amor, o amor de Deus em favor dos nossos semelhantes. Amar é primeiramente uma decisão; depois, é ação; e, após isso, é manutenção. Decidir amar não é difícil, também não é muito difícil mostrar esse amor... Mas, fazer desse amor uma decisão diária, um compromisso cotidiano, sustentar, manter esse amor a cada dia, cada hora, cada minuto e até mesmo a cada segundo – essa é a parte mais difícil do amor. Mas, de novo, não é impossível. Se unirmos ao amor a determinação da vontade, assumir o compromisso de amar apesar de qualquer obstáculo (para o que vamos certamente contar com a orientação do Espírito de Deus em cada um de nós) o amor será uma realidade em nossas vidas.

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Thursday, March 15, 2012

ASPECTOS DA UNIÃO ENTRE HOMEM E MULHER

 

homem mulherCasamento é, tradicionalmente, a união de um homem e uma mulher, mas, modernamente, se podem encontrar casamentos entre pessoas do mesmo sexo, em alguns países, mesmo sancionados pela lei vigente. Todavia, casamento é sempre uma instituição social. Neste artigo, contudo, gostaria de discutir não o casamento em si, o contrato social, mas a união conjugal, mais propriamente a união heterossexual, aquela entre um homem e uma mulher. Desde já aviso que não discrimino contra a união homossexual: apenas que, esta não será objeto dessa discussão. Quais são os elementos que caracterizam a união entre um homem e uma mulher? Por que, desde os primórdios da raça humana homem e mulher se unem? Sendo uma das primeiras preocupações do relato bíblico explicar a origem dessa união: “Portanto deixará o homem a seu pai e a sua mãe, e unir-se-á ã sua mulher, e serão uma só carne.”

A primeira razão que encontro para união entre um homem e uma mulher é a atração animal. Antes de se falarem, antes de se conhecerem pessoalmente, é o impressão visual que estimula a atração física, presente nos seres humanos como um instinto animal. Existe algo na natureza humana, como em todo reino animal, que produz uma atração natural e mútua entre macho e fêmea. Não há dúvida que esta atração está a serviço da evolução e reprodução das espécies, mas para seres humanos é algo mais do que simplesmente instintivo, pois recebe a contribuição da vontade humana: atração que se torna desejo e desejo que se torna escolha. O instinto sexual determina a atração, mas nós seres humanos, diferentemente dos outros animais, não somos guiados somente pelos instintos, mas, através do exercício da vontade aproximamo-nos uns dos outros com o intuito de produzir e usufruir de uma experiência relacional.

A segunda razão que encontro determinante para a união heterossexual de seres humanos é a interação social. Isto não significa somente convivência social, mas a capacidade de socializar experiências pessoais com mútuo benefício. Animais possuem uma necessidade social. Esta socialização acontece de vários modos e em diferentes níveis, mas entre seres humanos, um muito importante é a relação entre um homem e uma mulher. Socialização é troca de experiências. Essa troca pode ser feita, sem dúvida, entre seres humanos do mesmo sexo, mas uma das vantagens do relacionamento heterosexual é a possibilidade de trocar experiências com alguém do mesmo nível racial, mas ainda específicamente diferente, ou seja, a diferença sexual. As trocas sociais são potencialmente muito mais significativas entre indivíduos do mesmo nível, mas substancialmente diferentes. O benefício é proporcional à alteridade e similaridade,o ideal sendo um balanceamento entre os dois. Similaridade é necessária para que haja uma base comum, para que a troca de experiências se realize, mas a alteridade é o que determina a riqueza dessa troca. Assim o relacionamento entre um homem e uma mulher é potenialmente rico nos mais diversos tipos de socialização.

O terceiro elemento que leva um homem e uma mulher se unirem é a obrigação tradicional, ou seja a força da tradição. Socialização é um fenômeno animal, mas civilização é esclusivamente humana. A força da civilização é a tradição¸sem o que civilização não é possível. A tradição seleciona os valores humanos que devem ser passados às gerações seguintes. A união heterossexual é, ainda, um importante valor moral de nossa civilização. Homens e mulheres se unem como cônjuges e formam família por que isto é o que se vem fazendo por milênios e milênios. É o esperado pelos padrões ditados pela civilização em que existimos. A quebra ou mudança da tradição não é algo simples, nem para o indivíduo nem para a sociedade; de fato é dolorosa e perigosa, causa guerras e quedas de impérios – quando pessoas ousam fazer as coisas diferentemente do que se vem fazendo por séculos... Aqueles que rompem com a tradição, num primeiro momento são considerados párias sociais; ao depois, podem até ser considerados heróis, inovadores, fundadores de novos tempos. A tradição não reconhece a excessão e teme mudança, deseja uniformidade para assegurar o status quo.

Existem muitas variáveis que definem e explicam a relação heterossexual, e estas, até mesmo pela grande multiplicidade, devem nos indicar que o que quer seja, mesmo sendo uma norma geral, não é, contudo, o único modelo, nem imprescindível, nem o melhor. Ademais, a primazia sexual na relação homem-mulher é certamente indevida, pois seres humanos são mais do simples seres sexuais, convivendo em situações importantes que não são determinadas pela sexualidade. Na relação heterossexual há inegáveis aspectos que trazem homem e mulher juntos, mas a humanidade certamente possui possibilidades de relação humana não determinada pelo sexo.

Rev. Jose Oliveira, M. Div., é pastor presbiteriano, vivendo nos Estados Unidos, e diretor do Instituto Teológico Simonton, uma escola teológica online com cursos de teologia e filosofia nos níveis de Mestrado, Bacharel e Básico. Se você deseja mais informações sobre nossa escola, por favor clique no link abaixo:

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Wednesday, March 14, 2012

Os Mais Nobres Aspectos do Amor

Pelo Rev. Jose Oliveira, M. Div.

amorAmor é o mais nobre e menos compreendido sentimento humano. Logo de início, reconheçamos que até mesmo a definição de amor é difícil. Amor já foi comparado com quase tudo na vida, mesmo com coisas que claramente não tem nada a ver com amor. Por exemplo, a confissão de um amante: “Eu a matei por que a amava muito”. É isso amor? Certamente existem muitas diferentes maneiras de definir amor, mas, nesta oportunidade eu gostaria de apontar o que, em minha opinião, são os mais nobres aspectos do amor.

Primeiro: Amor é decisão. Paixão pode ser um sentimento; sexo é resultado de uma atração, mas creio que uma das palavras que melhor define amor é decisão. Algumas pessoas podem discordar disso, pois pode lhes parecer que definir amor como decisão é fazer dele algo muito racional e nada romântico. Sim, em minha opinião, amor é inteligente; e, romantismo não é um atributo do amor, mas sim um tipo de relação, a romântica, aquela entre um homem e uma mulher, por exemplo. Romantismo não pode ser um atributo do amor, pois o “amor romântico” é apenas uma expressão do amor universal. Amar é uma decisão de dar um lugar importante ou fazer alguém ou algo importante em sua vida. Quando Deus decidiu criar o ser humano, foi uma decisão de amor, pois o ser humano se tornou importante para Deus. Amar é fazer alguém, além de você mesmo, importante para você, na sua vida. Jesus disse que devemos amar a todos; isso só é possível quando considerarmos todos os seres humanos como nossos irmãos e irmãs, pois somos todos filhos criados pelo mesmo Deus, tendo todos, portanto, a mesma importância diante de Deus. Você pode amar a quem desejar, por que isso depende somente de uma decisão sua. Assim, por que não amar a todos?

Segundo: Amor é devoção. Devoção, como a maioria de nós sabe, está relacionada a devoto, ou seja, aquilo que é de-voto. O que é votar? Votar possui o sentido de compromisso. Quando você faz um voto, você assume um compromisso. Quando você vota em algum político para algum cargo, você está se comprometendo com aquela pessoa e o seu programa político; você esta dando o seu voto de apoio. Devoção é devotar-se a alguém; é prometer a si mesmo o seu apoio àquela pessoa. No caso do amor, é a promessa de que você apoiará essa pessoa incondicionalmente. Isso não significa que você irá corroborar os erros dessa pessoa, mas significa que você vai amá-la, mesmo quando ela estiver errada. Significa que você não vai abandonar essa pessoa (como muitos fazem) quando errar. Se Deus nos abandonasse por causa de nossos erros, ninguém poderia contar com o amor de Deus, pois todos nós erramos. Amor é devoção, compromisso, apoio que continua apesar das falhas, sejam nossas ou da pessoa amada. Foi por isso que o apóstolo Paulo disse: “O amor jamais acaba”, porque o amor não esmorece diante de nada. Nossa primeira e maior devoção é a Deus. Mas, se você ama a Deus, você já descobriu que a maneira de mostrar isso é se devotando ao bem comum, de cada ser humano -- em outras palavras, amar a todos!

Terceiro: Amor é dedicação. Para alguns, dedicação e devoção seriam a mesma coisa. Mas eu vejo uma diferença importante: devoção é uma atitude, uma promessa, um voto; dedicação é ação, comportamento, atuação – é entrega. Qual é a diferença entre promessa e entrega? É que a última dá substância à primeira. Amar é entregar-se, é dar-se a alguém; é ser meio de bênçãos aos outros. Um grande exemplo de dedicação é o das mães em geral. Uma mãe se entrega aos filhos de uma maneira tão completa que algumas vezes chega às raias da irracionalidade. Jesus, contudo, é o nosso supremo exemplo, pois ele dedicou sua vida completamente para o benefício espiritual de todos os seres humanos. Dele, foi uma entrega tão absoluta que o fazia algumas vezes se esquecer das coisas básicas da vida, como, comer, beber, dormir, descansar... Amar é uma entrega radical e sem esperar compensação, pois a compensação de quem ama é dar amor e a satisfação de ver a pessoa amada ser abençoada com esse amor. Verdadeiro amor revela uma entrega sacrificial – não importa o quanto custe, mesmo que a vida do amante, pois o amor entrega a própria vida por amor de quem se ama, pois não há dedicação maior do que o amor.

Eu seriamente acredito que decisão, devoção e dedicação são os mais nobres e importantes aspectos do amor. Amor não é um capricho infantil ou romântico. Amar é tornar alguém importante para você, na sua vida. Amar não é algo inconsequente do tipo, “se der eu faço”. Amar é devoção, é compromisso, apoio sério e incondicional. Amar não é egoísta, ao contrário, é dedicação incansável, entrega de si mesmo ao outro. É entregar-se de alma e coração ao serviço do próximo, o que revela um amor supremo à vontade de Deus, pois é da vontade de Deus que amemos uns aos outros indistintamente. Amor é, de fato, o mais nobre e importante sentimento humano. Somente quando realmente amamos aos outros é que somos felizes. Lembremo-nos sempre: o amor jamais acaba; o amor é incondicional, e o amor é impagável. Finalmente, tenhamos em mente que, se ao compararmos nosso amor com o acima, e ficar aquém do mostrado acima, isso não significa que não amamos, mas significa que nosso amor é, como cada um de nós, imperfeito, e que o perfeito amor é um alvo que aprendemos com Deus em Jesus Cristo.

Rev. Jose Oliveira, o autor deste artigo, é ministro presbiteriano, vivendo nos Estados Unidos, e o diretor do Instituto Teológico Simonton, uma escola teológica online com programas de Mestrado, Bacharel e Básico em Teologia e Filosofia. Se você gostaria de mais informações sobre os cursos de teologia e filosofia em nossa escola, por favor, clique no link abaixo.

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Friday, March 2, 2012

Revelação Divina

revelacaoA teologia evangélica tem maneiras peculiares de se referir à Revelação Divina. Primeiramente a classifica como Natural e Especial; a primeira através da natureza e a segunda através das Escrituras e Jesus Cristo. Natural porque dela não se poderia inferir salvação pessoal, e especial por que através destas, sim se pode conhecer a salvação pessoal. É discutível se a revelação natural não conduz à salvação, pois a salvação é pela fé na revelação de Deus, portanto se a pessoa crê em Deus por meio da revelação natural de Deus, não lhe será “isto atribuido para justiça”, como foi a Abrãao? Na teologia evangélica também se afirma que a revelação de Deus é progressiva e parcial. Progressiva por que tanto o conteúdo como a forma de revelação progrediram histórica e qualitativamente com o decorrer do tempo. O veículo da revelação progrediu de formas rudes, como por exemplo, os profetas no princípio do reino de Saul, que utilizavam bebida alcoólica para entrarem no “transe” espiritual que lhes permitia receber a palavra profética. Também progrediu em Israel, da visão (em alguns Salmos) em que Javé era um (certamente o mais poderoso) entre muitos outros deuses, à visão de um único e soberano Deus (Isaías). Em Jesus temos a mais perfeita revelação de Deus, principalmente como Pai, jamais feita em nosso mundo. A revelação é, também, parcial; porque a revelação divina não é exaustiva, pela simples razão de que nossa natureza finita, não pode abarcar a infinitude de Deus. A revelação a nós dada, é, como Pedro afirma, mormente concernente às coisas “da salvação e piedade”, isto é nos instruem em como receber a salvação e como viver uma vida piedosa. Mas em muitos outros respeitos a revelação pode ser parcial ou mesmo omissa, porque “as coisas reveladas pertencem a nós e a nossos filhos, mas as ocultas, a Deus”, afirma o Deuteronômio. E Paulo também afirmou: “Agora vemos como por um espelho, então o veremos como realmente é”. Nesta oportunidade gostaria de refletir um pouco mais neste tema da revelação, mostrando a revelação em termos de historicização, personificação e atualização.

A Historização da Revelação (através da História)

Deus se revela através da história, por que o Deus Único e Verdadeiro não é estático, mas dinâmico e, como Francis Schaffer afirmou, ele é “o Deus que Intervém” na história universal e pessoal. Ele não assiste impassivelmente a história passar aleatóriamente ou dirijida pelos caprichos e loucuras dos governantes. Ele intervém e dirige a história de acordo com os seus própositos imediatos e de longo prazo, ainda que sem violar o livre-arbítrio do indivíduo. Seres humanos podem tomar decisões e proceder com ações que respeitem somente a si mesmo. Por exemplo, individuos são livres para crer em Deus ou não. Mas, quando decisões e ações humanas se chocam com a vontade de Deus, esta sem dúvida prevalecerá, mesmo que tome tempo aos nossos olhos humanos. Um exemplo de Deus se revelando na história encontramos nos registros do Livro de Daniel, onde claramente se vê Deus dirigindo a história através do levantamento e queda de impérios: “Esta sentença é por decreto dos vigias, e por mandado dos santos; a fim de que conheçam os viventes que o Altíssimo tem domínio sobre o reino dos homens, e o dá a quem quer, e até o mais humilde dos homens constitui sobre eles”. Deus tem domínio sobre o reino dos homens. Ele não se deixa surpreender e nem observa passivo as loucuras humanas. Qual é o aspecto mais importante que a historização da revelação nos ensina a respeito de Deus? É que Deus, não somente intervém na história, mas é, também, Soberano sobre ela e seus propósitos não podem ser frustrados.

A Personificação da Revelação (através de Cristo Jesus)

Se na historização da revelação, Deus se revela através de um processo histórico, na personificação da revelação Deus se revela através de um personagem histórico, Jesus de Nazaré. A encarnação, que é a vinda do Soberano deste Universo a este mundo, é o mais alto e significativo evento revelacional que o nosso mundo já experimentou. Ninguém revelou a Deus como Jesus o fez, pois ele, como a Epístola aos Hebreus afirma, é a “perfeita expressão da imagem de Deus”. Se alguém quiser conhecer como Deus é, preste atenção na vida e ensinos deste humilde carpinteiro de Nazaré, Jesus, que viveu entre nós há mais de dois mil anos atrás, e é agora o Cristo exaltado nos céus. Jesus disse, “quem vê a mim, vê o Pai” e isto é verdade ainda que seja com os olhos da fé. Em Jesus a revelação se tornou uma Pessoa, como nós, porém, vinda do Paraíso, para nos dar uma revelação definitiva da pessoa de Deus e nos dar a conhecer e exemplificar-nos como fazer a vontade do Pai que está nos céus. Que não se confunda essa revelação com Cristianismo. Se Jesus houvera deixado algo escrito por si mesmo, isso poderia ser considerado uma revelação escrita, mas ele não deixou, e em nenhum lugar ordenou aos seus apóstolos que escrevessem tal revelação. Mas o seus principais ensinos nos foram transmitidos pelos seus discípulos (alguns, provavelmente alterados devido ao processo humano e precário desta mesma transmissão) e se constituiriam uma herança espiritual para todo o mundo, se o Cristianismo não tivesse se apoderado deles de uma forma exclusivista e restritiva. A pessoa de Cristo é a revelação perfeita de Deus para todos, mas nós acessamos essa revelação por meios imperfeitos.

A Atualização da Revelação (através do Espírito de Deus)

Antes da vinda de Cristo, a revelação divina era concedida a poucos indivíduos no mundo, aos quais chamamos de profetas. Estes eram pessoas habitadas e/ou capacitadas pelo Espírito de Deus para transmitirem a mensagem de Deus ao povo. Isto, mais observável no povo de Israel, era um fenômeno que também ocorria em outras nações, dentro de suas tradições religiosas. Contudo, mesmo em Israel, os profetas anunciaram (Joel, Isaias) que esse privilégio de alguns haveria de acabar um dia, quando Deus derramasse o seu Espírito “sobre toda a carne”. Isso aconteceu no dia do Pentecostes, de acordo com a promessa de Jesus antes de subir aos céus (Atos 1), o que Pedro testificou no sermão pregado após o evento. Na verdade, o Espírito de Deus veio a “toda carne”, para habitar todos os seres humanos normais vivendo neste mundo a partir daquele momento. Mas segundo o Cristianismo, o Espírito não veio a toda a carne, mas só aos que “aceitam a Jesus como Salvador”, e assim se pensa que todos os demais não tenham o Espírito, o que somente pode ser afirmado através de uma interpretação restritiva das mesmas escrituras cristãs. No dia de Pentecostes dois tipos de manifestações espirituais distintas ocorreram. Primeiro, o Espírito de Deus-Pai veio habitar todos os seres humanos normais, e, segundo, o Espírito de Cristo, o Espírito da Verdade, passou a ministrar neste mundo, para conduzir os crêem a “toda verdade”. Essas duas manifestações espirituais, possibilitam a atualização, em termos pessoais, da revelação divina. Depois da Ascensão de Jesus, seres humanos em geral, sem discriminação religiosa, possuem o Espírito de Deus habitando em suas mentes, fornecendo constante orientação divina para fazer-se a vontade de Deus. Isso é perceptível em diferentes níveis por diferentes indivíduos, pois o Espírito não age por força ou violência, mas mansamente, e, por isso, muitas pessoas simplesmente não percebem ou ignoram essa Sua constante orientação. A revelação do Espírito de Deus na vida pessoal de cada um é puramente espiritual, não atrelada a qualquer meio material, seja qual for. O Espírito de Cristo, o Espírito da Verdade, também presente na terra conosco, atua conforme a capacidade espiritual de cada um, conduzindo-nos, passo-a-passo, a toda verdade. Isso se constitui a atualização da revelação, até mesmo em termos cotidianos, em nossa vida pessoal.

Estou consciente de que neste artigo, defendo posições que não são tradicionais do Cristianismo. Mas o faço por amor aquilo que considero a verdade mostrada a mim, e, de nenhum modo, advogo que todos devam pensar assim. A verdade, como a revelação de Deus, é também progressiva. Pedro, mesmo depois da ascensão de Cristo, pensava que a salvação era só para os Judeus, mas através de uma visão Deus lhe mostrou diferentemente. Como o apóstolo Paulo disse, “cada um viva de acordo com a luz que possui”. Eu, neste artigo, quis apenas jogar um pouco mais de luz na discussão a respeito da revelação. Mas pode ser que o que é luz para uns, ofuscam ou cegam a outros... Neste caso, permaneça com a sua luz, até que Deus lhe mostre diferente, quando e se mostrar. Custou-me quarenta anos de fé em Jesus Cristo para chegar a estas conclusões, e essas conclusões são minhas; todos devem chegar às suas próprias conclusões.

Jose Oliveira, M. Div., é pastor presbiteriano, vivendo nos Estados Unidos, e o diretor do Instituto Teológico Simonton para estudantes de fala portuguesa. O acima exarado é sua opinião e de nenhuma maneira faz parte obrigatória do currículo da Escola que ele dirige. Se você quiser estudar em uma escola teológica que lhe dá liberdade de chegar às suas próprias conclusões, conheça mais a repeito do ITSimonton, clicando no link abaixo:

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