Thursday, March 15, 2012

ASPECTOS DA UNIÃO ENTRE HOMEM E MULHER

 

homem mulherCasamento é, tradicionalmente, a união de um homem e uma mulher, mas, modernamente, se podem encontrar casamentos entre pessoas do mesmo sexo, em alguns países, mesmo sancionados pela lei vigente. Todavia, casamento é sempre uma instituição social. Neste artigo, contudo, gostaria de discutir não o casamento em si, o contrato social, mas a união conjugal, mais propriamente a união heterossexual, aquela entre um homem e uma mulher. Desde já aviso que não discrimino contra a união homossexual: apenas que, esta não será objeto dessa discussão. Quais são os elementos que caracterizam a união entre um homem e uma mulher? Por que, desde os primórdios da raça humana homem e mulher se unem? Sendo uma das primeiras preocupações do relato bíblico explicar a origem dessa união: “Portanto deixará o homem a seu pai e a sua mãe, e unir-se-á ã sua mulher, e serão uma só carne.”

A primeira razão que encontro para união entre um homem e uma mulher é a atração animal. Antes de se falarem, antes de se conhecerem pessoalmente, é o impressão visual que estimula a atração física, presente nos seres humanos como um instinto animal. Existe algo na natureza humana, como em todo reino animal, que produz uma atração natural e mútua entre macho e fêmea. Não há dúvida que esta atração está a serviço da evolução e reprodução das espécies, mas para seres humanos é algo mais do que simplesmente instintivo, pois recebe a contribuição da vontade humana: atração que se torna desejo e desejo que se torna escolha. O instinto sexual determina a atração, mas nós seres humanos, diferentemente dos outros animais, não somos guiados somente pelos instintos, mas, através do exercício da vontade aproximamo-nos uns dos outros com o intuito de produzir e usufruir de uma experiência relacional.

A segunda razão que encontro determinante para a união heterossexual de seres humanos é a interação social. Isto não significa somente convivência social, mas a capacidade de socializar experiências pessoais com mútuo benefício. Animais possuem uma necessidade social. Esta socialização acontece de vários modos e em diferentes níveis, mas entre seres humanos, um muito importante é a relação entre um homem e uma mulher. Socialização é troca de experiências. Essa troca pode ser feita, sem dúvida, entre seres humanos do mesmo sexo, mas uma das vantagens do relacionamento heterosexual é a possibilidade de trocar experiências com alguém do mesmo nível racial, mas ainda específicamente diferente, ou seja, a diferença sexual. As trocas sociais são potencialmente muito mais significativas entre indivíduos do mesmo nível, mas substancialmente diferentes. O benefício é proporcional à alteridade e similaridade,o ideal sendo um balanceamento entre os dois. Similaridade é necessária para que haja uma base comum, para que a troca de experiências se realize, mas a alteridade é o que determina a riqueza dessa troca. Assim o relacionamento entre um homem e uma mulher é potenialmente rico nos mais diversos tipos de socialização.

O terceiro elemento que leva um homem e uma mulher se unirem é a obrigação tradicional, ou seja a força da tradição. Socialização é um fenômeno animal, mas civilização é esclusivamente humana. A força da civilização é a tradição¸sem o que civilização não é possível. A tradição seleciona os valores humanos que devem ser passados às gerações seguintes. A união heterossexual é, ainda, um importante valor moral de nossa civilização. Homens e mulheres se unem como cônjuges e formam família por que isto é o que se vem fazendo por milênios e milênios. É o esperado pelos padrões ditados pela civilização em que existimos. A quebra ou mudança da tradição não é algo simples, nem para o indivíduo nem para a sociedade; de fato é dolorosa e perigosa, causa guerras e quedas de impérios – quando pessoas ousam fazer as coisas diferentemente do que se vem fazendo por séculos... Aqueles que rompem com a tradição, num primeiro momento são considerados párias sociais; ao depois, podem até ser considerados heróis, inovadores, fundadores de novos tempos. A tradição não reconhece a excessão e teme mudança, deseja uniformidade para assegurar o status quo.

Existem muitas variáveis que definem e explicam a relação heterossexual, e estas, até mesmo pela grande multiplicidade, devem nos indicar que o que quer seja, mesmo sendo uma norma geral, não é, contudo, o único modelo, nem imprescindível, nem o melhor. Ademais, a primazia sexual na relação homem-mulher é certamente indevida, pois seres humanos são mais do simples seres sexuais, convivendo em situações importantes que não são determinadas pela sexualidade. Na relação heterossexual há inegáveis aspectos que trazem homem e mulher juntos, mas a humanidade certamente possui possibilidades de relação humana não determinada pelo sexo.

Rev. Jose Oliveira, M. Div., é pastor presbiteriano, vivendo nos Estados Unidos, e diretor do Instituto Teológico Simonton, uma escola teológica online com cursos de teologia e filosofia nos níveis de Mestrado, Bacharel e Básico. Se você deseja mais informações sobre nossa escola, por favor clique no link abaixo:

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Wednesday, March 14, 2012

Os Mais Nobres Aspectos do Amor

Pelo Rev. Jose Oliveira, M. Div.

amorAmor é o mais nobre e menos compreendido sentimento humano. Logo de início, reconheçamos que até mesmo a definição de amor é difícil. Amor já foi comparado com quase tudo na vida, mesmo com coisas que claramente não tem nada a ver com amor. Por exemplo, a confissão de um amante: “Eu a matei por que a amava muito”. É isso amor? Certamente existem muitas diferentes maneiras de definir amor, mas, nesta oportunidade eu gostaria de apontar o que, em minha opinião, são os mais nobres aspectos do amor.

Primeiro: Amor é decisão. Paixão pode ser um sentimento; sexo é resultado de uma atração, mas creio que uma das palavras que melhor define amor é decisão. Algumas pessoas podem discordar disso, pois pode lhes parecer que definir amor como decisão é fazer dele algo muito racional e nada romântico. Sim, em minha opinião, amor é inteligente; e, romantismo não é um atributo do amor, mas sim um tipo de relação, a romântica, aquela entre um homem e uma mulher, por exemplo. Romantismo não pode ser um atributo do amor, pois o “amor romântico” é apenas uma expressão do amor universal. Amar é uma decisão de dar um lugar importante ou fazer alguém ou algo importante em sua vida. Quando Deus decidiu criar o ser humano, foi uma decisão de amor, pois o ser humano se tornou importante para Deus. Amar é fazer alguém, além de você mesmo, importante para você, na sua vida. Jesus disse que devemos amar a todos; isso só é possível quando considerarmos todos os seres humanos como nossos irmãos e irmãs, pois somos todos filhos criados pelo mesmo Deus, tendo todos, portanto, a mesma importância diante de Deus. Você pode amar a quem desejar, por que isso depende somente de uma decisão sua. Assim, por que não amar a todos?

Segundo: Amor é devoção. Devoção, como a maioria de nós sabe, está relacionada a devoto, ou seja, aquilo que é de-voto. O que é votar? Votar possui o sentido de compromisso. Quando você faz um voto, você assume um compromisso. Quando você vota em algum político para algum cargo, você está se comprometendo com aquela pessoa e o seu programa político; você esta dando o seu voto de apoio. Devoção é devotar-se a alguém; é prometer a si mesmo o seu apoio àquela pessoa. No caso do amor, é a promessa de que você apoiará essa pessoa incondicionalmente. Isso não significa que você irá corroborar os erros dessa pessoa, mas significa que você vai amá-la, mesmo quando ela estiver errada. Significa que você não vai abandonar essa pessoa (como muitos fazem) quando errar. Se Deus nos abandonasse por causa de nossos erros, ninguém poderia contar com o amor de Deus, pois todos nós erramos. Amor é devoção, compromisso, apoio que continua apesar das falhas, sejam nossas ou da pessoa amada. Foi por isso que o apóstolo Paulo disse: “O amor jamais acaba”, porque o amor não esmorece diante de nada. Nossa primeira e maior devoção é a Deus. Mas, se você ama a Deus, você já descobriu que a maneira de mostrar isso é se devotando ao bem comum, de cada ser humano -- em outras palavras, amar a todos!

Terceiro: Amor é dedicação. Para alguns, dedicação e devoção seriam a mesma coisa. Mas eu vejo uma diferença importante: devoção é uma atitude, uma promessa, um voto; dedicação é ação, comportamento, atuação – é entrega. Qual é a diferença entre promessa e entrega? É que a última dá substância à primeira. Amar é entregar-se, é dar-se a alguém; é ser meio de bênçãos aos outros. Um grande exemplo de dedicação é o das mães em geral. Uma mãe se entrega aos filhos de uma maneira tão completa que algumas vezes chega às raias da irracionalidade. Jesus, contudo, é o nosso supremo exemplo, pois ele dedicou sua vida completamente para o benefício espiritual de todos os seres humanos. Dele, foi uma entrega tão absoluta que o fazia algumas vezes se esquecer das coisas básicas da vida, como, comer, beber, dormir, descansar... Amar é uma entrega radical e sem esperar compensação, pois a compensação de quem ama é dar amor e a satisfação de ver a pessoa amada ser abençoada com esse amor. Verdadeiro amor revela uma entrega sacrificial – não importa o quanto custe, mesmo que a vida do amante, pois o amor entrega a própria vida por amor de quem se ama, pois não há dedicação maior do que o amor.

Eu seriamente acredito que decisão, devoção e dedicação são os mais nobres e importantes aspectos do amor. Amor não é um capricho infantil ou romântico. Amar é tornar alguém importante para você, na sua vida. Amar não é algo inconsequente do tipo, “se der eu faço”. Amar é devoção, é compromisso, apoio sério e incondicional. Amar não é egoísta, ao contrário, é dedicação incansável, entrega de si mesmo ao outro. É entregar-se de alma e coração ao serviço do próximo, o que revela um amor supremo à vontade de Deus, pois é da vontade de Deus que amemos uns aos outros indistintamente. Amor é, de fato, o mais nobre e importante sentimento humano. Somente quando realmente amamos aos outros é que somos felizes. Lembremo-nos sempre: o amor jamais acaba; o amor é incondicional, e o amor é impagável. Finalmente, tenhamos em mente que, se ao compararmos nosso amor com o acima, e ficar aquém do mostrado acima, isso não significa que não amamos, mas significa que nosso amor é, como cada um de nós, imperfeito, e que o perfeito amor é um alvo que aprendemos com Deus em Jesus Cristo.

Rev. Jose Oliveira, o autor deste artigo, é ministro presbiteriano, vivendo nos Estados Unidos, e o diretor do Instituto Teológico Simonton, uma escola teológica online com programas de Mestrado, Bacharel e Básico em Teologia e Filosofia. Se você gostaria de mais informações sobre os cursos de teologia e filosofia em nossa escola, por favor, clique no link abaixo.

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Friday, March 2, 2012

Revelação Divina

revelacaoA teologia evangélica tem maneiras peculiares de se referir à Revelação Divina. Primeiramente a classifica como Natural e Especial; a primeira através da natureza e a segunda através das Escrituras e Jesus Cristo. Natural porque dela não se poderia inferir salvação pessoal, e especial por que através destas, sim se pode conhecer a salvação pessoal. É discutível se a revelação natural não conduz à salvação, pois a salvação é pela fé na revelação de Deus, portanto se a pessoa crê em Deus por meio da revelação natural de Deus, não lhe será “isto atribuido para justiça”, como foi a Abrãao? Na teologia evangélica também se afirma que a revelação de Deus é progressiva e parcial. Progressiva por que tanto o conteúdo como a forma de revelação progrediram histórica e qualitativamente com o decorrer do tempo. O veículo da revelação progrediu de formas rudes, como por exemplo, os profetas no princípio do reino de Saul, que utilizavam bebida alcoólica para entrarem no “transe” espiritual que lhes permitia receber a palavra profética. Também progrediu em Israel, da visão (em alguns Salmos) em que Javé era um (certamente o mais poderoso) entre muitos outros deuses, à visão de um único e soberano Deus (Isaías). Em Jesus temos a mais perfeita revelação de Deus, principalmente como Pai, jamais feita em nosso mundo. A revelação é, também, parcial; porque a revelação divina não é exaustiva, pela simples razão de que nossa natureza finita, não pode abarcar a infinitude de Deus. A revelação a nós dada, é, como Pedro afirma, mormente concernente às coisas “da salvação e piedade”, isto é nos instruem em como receber a salvação e como viver uma vida piedosa. Mas em muitos outros respeitos a revelação pode ser parcial ou mesmo omissa, porque “as coisas reveladas pertencem a nós e a nossos filhos, mas as ocultas, a Deus”, afirma o Deuteronômio. E Paulo também afirmou: “Agora vemos como por um espelho, então o veremos como realmente é”. Nesta oportunidade gostaria de refletir um pouco mais neste tema da revelação, mostrando a revelação em termos de historicização, personificação e atualização.

A Historização da Revelação (através da História)

Deus se revela através da história, por que o Deus Único e Verdadeiro não é estático, mas dinâmico e, como Francis Schaffer afirmou, ele é “o Deus que Intervém” na história universal e pessoal. Ele não assiste impassivelmente a história passar aleatóriamente ou dirijida pelos caprichos e loucuras dos governantes. Ele intervém e dirige a história de acordo com os seus própositos imediatos e de longo prazo, ainda que sem violar o livre-arbítrio do indivíduo. Seres humanos podem tomar decisões e proceder com ações que respeitem somente a si mesmo. Por exemplo, individuos são livres para crer em Deus ou não. Mas, quando decisões e ações humanas se chocam com a vontade de Deus, esta sem dúvida prevalecerá, mesmo que tome tempo aos nossos olhos humanos. Um exemplo de Deus se revelando na história encontramos nos registros do Livro de Daniel, onde claramente se vê Deus dirigindo a história através do levantamento e queda de impérios: “Esta sentença é por decreto dos vigias, e por mandado dos santos; a fim de que conheçam os viventes que o Altíssimo tem domínio sobre o reino dos homens, e o dá a quem quer, e até o mais humilde dos homens constitui sobre eles”. Deus tem domínio sobre o reino dos homens. Ele não se deixa surpreender e nem observa passivo as loucuras humanas. Qual é o aspecto mais importante que a historização da revelação nos ensina a respeito de Deus? É que Deus, não somente intervém na história, mas é, também, Soberano sobre ela e seus propósitos não podem ser frustrados.

A Personificação da Revelação (através de Cristo Jesus)

Se na historização da revelação, Deus se revela através de um processo histórico, na personificação da revelação Deus se revela através de um personagem histórico, Jesus de Nazaré. A encarnação, que é a vinda do Soberano deste Universo a este mundo, é o mais alto e significativo evento revelacional que o nosso mundo já experimentou. Ninguém revelou a Deus como Jesus o fez, pois ele, como a Epístola aos Hebreus afirma, é a “perfeita expressão da imagem de Deus”. Se alguém quiser conhecer como Deus é, preste atenção na vida e ensinos deste humilde carpinteiro de Nazaré, Jesus, que viveu entre nós há mais de dois mil anos atrás, e é agora o Cristo exaltado nos céus. Jesus disse, “quem vê a mim, vê o Pai” e isto é verdade ainda que seja com os olhos da fé. Em Jesus a revelação se tornou uma Pessoa, como nós, porém, vinda do Paraíso, para nos dar uma revelação definitiva da pessoa de Deus e nos dar a conhecer e exemplificar-nos como fazer a vontade do Pai que está nos céus. Que não se confunda essa revelação com Cristianismo. Se Jesus houvera deixado algo escrito por si mesmo, isso poderia ser considerado uma revelação escrita, mas ele não deixou, e em nenhum lugar ordenou aos seus apóstolos que escrevessem tal revelação. Mas o seus principais ensinos nos foram transmitidos pelos seus discípulos (alguns, provavelmente alterados devido ao processo humano e precário desta mesma transmissão) e se constituiriam uma herança espiritual para todo o mundo, se o Cristianismo não tivesse se apoderado deles de uma forma exclusivista e restritiva. A pessoa de Cristo é a revelação perfeita de Deus para todos, mas nós acessamos essa revelação por meios imperfeitos.

A Atualização da Revelação (através do Espírito de Deus)

Antes da vinda de Cristo, a revelação divina era concedida a poucos indivíduos no mundo, aos quais chamamos de profetas. Estes eram pessoas habitadas e/ou capacitadas pelo Espírito de Deus para transmitirem a mensagem de Deus ao povo. Isto, mais observável no povo de Israel, era um fenômeno que também ocorria em outras nações, dentro de suas tradições religiosas. Contudo, mesmo em Israel, os profetas anunciaram (Joel, Isaias) que esse privilégio de alguns haveria de acabar um dia, quando Deus derramasse o seu Espírito “sobre toda a carne”. Isso aconteceu no dia do Pentecostes, de acordo com a promessa de Jesus antes de subir aos céus (Atos 1), o que Pedro testificou no sermão pregado após o evento. Na verdade, o Espírito de Deus veio a “toda carne”, para habitar todos os seres humanos normais vivendo neste mundo a partir daquele momento. Mas segundo o Cristianismo, o Espírito não veio a toda a carne, mas só aos que “aceitam a Jesus como Salvador”, e assim se pensa que todos os demais não tenham o Espírito, o que somente pode ser afirmado através de uma interpretação restritiva das mesmas escrituras cristãs. No dia de Pentecostes dois tipos de manifestações espirituais distintas ocorreram. Primeiro, o Espírito de Deus-Pai veio habitar todos os seres humanos normais, e, segundo, o Espírito de Cristo, o Espírito da Verdade, passou a ministrar neste mundo, para conduzir os crêem a “toda verdade”. Essas duas manifestações espirituais, possibilitam a atualização, em termos pessoais, da revelação divina. Depois da Ascensão de Jesus, seres humanos em geral, sem discriminação religiosa, possuem o Espírito de Deus habitando em suas mentes, fornecendo constante orientação divina para fazer-se a vontade de Deus. Isso é perceptível em diferentes níveis por diferentes indivíduos, pois o Espírito não age por força ou violência, mas mansamente, e, por isso, muitas pessoas simplesmente não percebem ou ignoram essa Sua constante orientação. A revelação do Espírito de Deus na vida pessoal de cada um é puramente espiritual, não atrelada a qualquer meio material, seja qual for. O Espírito de Cristo, o Espírito da Verdade, também presente na terra conosco, atua conforme a capacidade espiritual de cada um, conduzindo-nos, passo-a-passo, a toda verdade. Isso se constitui a atualização da revelação, até mesmo em termos cotidianos, em nossa vida pessoal.

Estou consciente de que neste artigo, defendo posições que não são tradicionais do Cristianismo. Mas o faço por amor aquilo que considero a verdade mostrada a mim, e, de nenhum modo, advogo que todos devam pensar assim. A verdade, como a revelação de Deus, é também progressiva. Pedro, mesmo depois da ascensão de Cristo, pensava que a salvação era só para os Judeus, mas através de uma visão Deus lhe mostrou diferentemente. Como o apóstolo Paulo disse, “cada um viva de acordo com a luz que possui”. Eu, neste artigo, quis apenas jogar um pouco mais de luz na discussão a respeito da revelação. Mas pode ser que o que é luz para uns, ofuscam ou cegam a outros... Neste caso, permaneça com a sua luz, até que Deus lhe mostre diferente, quando e se mostrar. Custou-me quarenta anos de fé em Jesus Cristo para chegar a estas conclusões, e essas conclusões são minhas; todos devem chegar às suas próprias conclusões.

Jose Oliveira, M. Div., é pastor presbiteriano, vivendo nos Estados Unidos, e o diretor do Instituto Teológico Simonton para estudantes de fala portuguesa. O acima exarado é sua opinião e de nenhuma maneira faz parte obrigatória do currículo da Escola que ele dirige. Se você quiser estudar em uma escola teológica que lhe dá liberdade de chegar às suas próprias conclusões, conheça mais a repeito do ITSimonton, clicando no link abaixo:

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Wednesday, February 29, 2012

ATEUS, LHES CONVIDO A LEREM ISTO

Pelo Rev. Jose Oliveira, M. Div.
Seres humanos são seres religiosos, sem exceção. O que basicamente faz o ser humano religioso é o dom da Personalidade. Nossa religiosidade inata existe por que o elemento que basicamente nos define como seres humanos, isto é, a personalidade, vem de Deus. Cada um de nós possui esta faculdade que nos habilita a nos expressarmos como pessoas, não como simples animais. Mesmo nossa natureza animal, também procedente de Deus, traz a marca divina. Mas sem a personalidade, não podemos reconhecê-la, portanto, personalidade é a causa do anseio religioso no homem, isto é, a busca pela Deidade que dá sentido à vida além desta vida. Ateus são pessoas cujos egos (identidade, não personalidade) foram construídos com tamanha arrogância que decidiram excluir a idéia de Deus dos seus sistemas vivenciais especialmente para “não dar satisfação a ninguém”, nem mesmo a Deus. Contudo, ateus laboram em erro, pois para negar-se a Deus, há que primeiramente elaborar a idéia de Deus e isso só é possível através da personalidade, que vem de Deus. Animais não podem sequer elaborar a idéia de Deus, porque não são seres pessoais, somente seres pessoais, com personalidade, como eu, você e todos os ateus do mundo podem aceitar ou a negar a Deus! Ateus negam o Deus único e verdadeiro para colocarem a si mesmos como deuses. E a tragédia é que Deus respeita essas decisões quando são tomadas definitivamente e confirmada pelas suas ações. Se os ateus recusam a acreditar em Deus, ao final, eles terão que, na presença de Deus, assumir suas decisões e serão como se nunca tivessem existido, por que sem Deus, não há qualquer tipo existência!
Quais são as implicações de tal decisão por parte dos ateus? Certamente é uma decisão suicida. Ao negar a Deus, o ateu está declarando a sua própria morte eterna. Com Deus, a aventura da existência humana, continua, progressivamente, por toda a eternidade. Sem Deus, tudo acaba depois desta vida. Esse ser humano que ateus amaram às raias da egolatria, deixará de existir. Todas as experiências, boas e más, mas que constituíram a vida -- tudo deixará de existir! Ateus que persistirem em suas decisões de negar a Deus poderão ser uma memória para outros, mas para eles próprios, nunca, eternamente, poderão recordar suas vidas neste mundo, porque, conscientemente, decidiram cessar suas existências depois dessa vida. Por que alguém faria isso? Seria pelo medo da dúvida (da existência de Deus) e então optaram por uma “certeza” de que Deus não existe? A dúvida é melhor do que negar a Deus. Ateus, se fossem realmente inteligentes, deveriam ser coerentes e dizer: “Eu não sei se Deus existe”. Isto é o máximo que uma pessoa honesta pode afirmar. Duvidar não é negar. Duvidar significa que você ainda está aberto para verdade. Mas quando você nega ou afirma, isso significa que você encontrou a verdade. Sim, seja sincero. Se você não tem certeza da existência de Deus, afirme isso, por que aí ainda há esperança. Mas não feche, arrogantemente, a porta, dizendo: “Não há Deus”. Isso é suicídio!
Negar a Deus além de uma decisão suicida é uma decisão egoísta. Uma decisão de quem, ultimamente, está pensando somente em si mesmo. Porque não querem viver em dúvida, ou se submeter a um ser superior, Deus, os ateus eliminam a existência deles da existência dos outros seres humanos que sobreviverão eternamente, entre estes, aqueles entes queridos como pais, mães, esposas, filhos e amigos que verdadeiramente os amaram e ficarão privados da existência desses ateus queridos por toda eternidade. Imagine quão triste para um pai ou mãe, esposo, esposa, filhos e amigos aqui na terra, saber que alguém que eles sinceramente amaram aqui na terra não estará com eles na eternidade. Sabendo que “Deus enxugará dos olhos todas as lagrimas”, sabemos que, no céu, respeitando a decisão deles, os ateus, estaremos gratos a Deus pelo tempo que nos permitiu compartilhar e amá-los aqui na terra, mas nunca, nunca mais poderemos encontrá-los e seguir amando-os por toda eternidade, porque eles, numa decisão egoísta, simplesmente nos cortaram essa oportunidade. Isso me faz pensar: será que estes nossos queridos familiares ou amigos ateus, nos amam realmente? Será que amam os seus pais, esposas, filhos e amigos? Tenho que chegar a conclusão que ainda que os amassem, não o fizeram com a profundidade que poderiam, pois não desejaram estar conosco por toda a eternidade. Tudo por causa do egoísmo!
A decisão de conscientemente negar a Deus, além de ser suicida e egoísta -- tenho que dizer -- na esperança de que os ateus considerem seriamente sua decisão e a mudem enquanto há tempo (porque enquanto há vida, há esperança), uma vez que, se esta decisão é tomada com total consciência de suas consequências, condição em que, depois de lerem este artigo alguns ateus poderão estar, é uma decisão irreversível. Se você, ateu, exercer as faculdades da personalidade que o próprio Deus lhe deu, para negá-lo contínua e definitivamente, após a morte, na presença de Deus, não lhe será dada outra oportunidade, e, para ser franco, nem mesmo você vai pedir por uma segunda oportunidade, pois o seu coração estará selado com a decisão pessoal e definitiva que fez enquanto em vida, e, como a Paulo disse, “todo joelho se dobrará diante de Cristo”, você também, figurativamente, o fará, ao reconhecer, diante de Deus (onde a verdade e a justiça divinas estarão tão clara e insofismaticamente evidentes) quando você mesmo concordará que sim desejou em vida, e, ainda deseja, deixar de existir. Não haverá volta de uma decisão consciente e definitivamente tomada em vida. Sua decisão será irreversível, mesmo para você.
Por que, em sã consciência, alguém faria isso? Para mim, só existe uma resposta: a arrogância. Se não fora a arrogância, o ateu, não seria ateu, seria um cético honesto. Não considero um cético honesto aquele que diz: “Eu não sei se Deus existe e creio que nunca haverá possibilidade de saber-se”. Este não é um cético honesto, mas é um ateu arrogante disfarçado de cético. A arrogância é a causa do mal, ou pecado, pois o arrogante ateu peca contra Deus e os outros e pensa que não haverá consequências. Sim haverá, consequências temporais e eternas. A arrogância é a causa deste egoísmo supremo que rouba aos ateus a eternidade. A arrogância dos ateus é a causa que os rouba dos seus entes queridos por toda a eternidade. É arrogância que os faz tomarem, conscientemente, uma decisão tão temerária como a de negar a existência de Deus. Contudo, não precisa ser assim. Simplesmente reconheça que não é lógico, humano ou certo, cortar Deus de sua existência. Ele o ama, e lhe quer Consigo por toda Eternidade. Simplesmente se abra para a verdade, ou melhor, seja corajoso para dizer: “Se há um Deus, eu quero ser convencido disto!” Se fizer esta oração do cético honesto, com humildade, não com arrogância, espere, pois, sem dúvida, você será convencido da existência de Deus.
Rev. Jose Oliveira é ministro presbiteriano, vivendo nos Estados Unidos, e o diretor do Instituto Teológico Simonton, uma escola teológica online que oferece programas de teologia e filosofia nos níveis básico, bacharelado e mestrado. Para maiores informações sobre nossa escola, siga o link abaixo.
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Tuesday, February 28, 2012

A Eternidade e a Trindade

pelo Rev. Jose Oliveira, M.Div.

eternidadeO conceito de “eternidade” está além da compreensão humana. Se, pudéssemos perguntar a Deus o que é Eternidade, ele provavelmente diria: “Eu sou a Eternidade”. Eternidade não existe à parte de Deus. Tendemos a classificar eternidade em termos cronológicos. Dizemos que eternidade é o antes-infinito e o infinito-depois. Porque somos seres condicionados ao tempo e espaço, somos levados a pensar nestes termos, mas eternidade não é a respeito da extensão temporal, mas a respeito da ausência do tempo. Tempo e espaço são dimensões finitas onde certos potenciais de Deus adquirem substância. Tempo e espaço constituem o laboratório de Deus onde Ele permite que certas personalidades se desenvolvam, rumo à perfeição, através da experiência, por meio do livre-arbítrio.

Eternidade é a respeito da modalidade única do Ser Absoluto, onde o ser e o não-ser existem em perfeita harmonia. O ser é tudo que se faz perceptível. O não-ser não é que o não existe. É o que existe potencialmente. No caso do ser humano, o que é potencial é limitado pela possibilidade e assim alguns potenciais humanamente engendrados podem nunca se tornar realidade. Mas no caso de Deus, os seus infinitos potenciais são todos destinados a se tornar reais, por que tudo que Deus engendra é possível. Em Deus deve existir um “ser” tensional entre o real e potencial. Podemos dizer que se não fora a realidade da Trindade, Deus somente existiria para Si mesmo. Essa é a essência, creio, da Existência Absoluta de Deus, mas a Trindade manifesta a Existência Plural de Deus.

O Filho e o Espírito são o que poderíamos chamar de “inevitabilidades” do ser de Deus, potenciais que se “tornaram” reais. Talvez a diferença entre real e potencial seja a capacidade de relação. O potencial existe, mas estaticamente, o real existe em relacionamento com algo ou alguém. Assim, à parte da Trindade, Deus possui existência intrínseca, Ele existe de si para si mesmo. Mas na Trindade, Deus existe em relação ao Filho e ao Espírito. Ambos, o Ser Real e Potencial de Deus compreendem o Ser Absoluto de Deus. Ser absoluto, é, então, ser e não-ser. A vontade divina, mais do que “desejo” deve ser o resultado desta tensão ontológica em Deus.

Possivelmente, os “movimentos” eternos de Deus são a capacidade divina através desta vontade tensional, acima mencionada, de transformar potenciais divinos em realidades. A geração do Filho é o Deus-Ente (real) trazendo o Deus-Agente (potencial) à realidade. Ao gerar o Filho, Deus é Pai, e abdica de seu poder agencial (que sem o Filho, seria exclusivamente potencial) em favor do Filho. O Pai somente age através do Filho; ainda quando pessoalmente atua no universo, é o Filho que viabiliza essa atuação. O Filho, sendo geração divina, é expressão unigênita e contígua de Deus. O Espírito, sendo processão divina é a essência relacional de Deus, Sua expressão conjuntiva (do Pai e do Filho conjuntamente). O Pai é a Origem de tudo, o Filho é a Expressão do Pai, e o Espírito é o Executor Conjuntivo do Pai e do Filho.

Como dito anteriormente, é impossível para nós seres humanos compreender a Deus, porque Ele é Absoluto, Infinito e Inconcebível em sua realidade total. Se o pudéssemos, seríamos Deus. Mas podemos conhecer algo de Deus. Certamente, Ele é infinitamente mais do que podemos conhecer e imaginar; mas, a nossa percepção dEle, embora imperfeita, é real, pois Deus, em manifestando-se através da Trindade, permitiu que se Lhe conhecesse extrinsecamente, de qual conhecimento nós partilhamos, pela revelação que ele faz de si mesmo no Filho, pelo Espírito.

Rev. Jose Oliveira é ministro presbiteriano e diretor do Instituto Teológico Simonton.

Tuesday, February 21, 2012

Moralidade e Religião

pelo Rev. Jose Oliveira, M. Div.

religiao-e-moralPara muitas pessoas, Moralidade e Religião é a mesma coisa. Será mesmo? Ainda que Moralidade e Religião cruzam os seus caminhos muitas vezes tanto na Filosofia como Teologia, são conceitos e disciplinas distintos que devem ser compreendidos em suas particularidades. Comecemos por apresentar uma definição de Moralidade. Moralidade humana é um conjunto de princípios que pode variar de indivíduo para indivíduo, os quais regem o comportamento pessoal. Assim, o seu código de pessoal de princípios que definem o que é certo e errado, bom e mau, Bem e Mal, determinam a sua moralidade. Outros termos relacionados com Moralidade são imoralidade, que são os comportamentos reprovados pela Moralidade pública ou social; amoralidade é a presunção de que não há moralidade, ou seja, um conjunto de princípios que regem o comportamento; contudo, tal presunção constitui-se um principio em si e regerá a comportamento, mesmo a despeito de não se acreditar em moralidade. Religião pode ser definida em dois aspectos: pessoal e institucional. No aspecto pessoal, religião é o conjunto de convicções espirituais que o individuo possui que determinam a sua esperança para além desta vida. No aspecto institucional, religião é o sistema doutrinário ou dogmático imposto ou aceito por indivíduos a respeito de fenômenos espirituais. Não obstante possuírem campos de atuação distintos, Religião e Moralidade estão, de fato, ligadas. Que tipo de relacionamento existe entre elas? Este será o foco da nossa reflexão nesta oportunidade.

Uma Relação Funcional

A relação funcional entre Religiao e Moralidade significa dizer que elas se utilizam mutuamente, ou seja, uma ajuda à outra. Religiosidade é uma capacidade inata no ser humano, ou seja, todos os seres humanos normais possuem uma curiosidade e desejo pelo divino, pelo mundo espiritual. Religião é, portanto, antecedente à moralidade, bem como um ingrediente da mesma. Moralidade é um exercício da sabedoria humana, no sentido que estabelece um código de conduta, primeiro para o indivíduo, tanto para proteção e eficiência pessoal; depois, para o grupo, sociedade e civilização, agora para a proteção e eficiência de funcionamento do grupo. A Religião utiliza e influencia a Moralidade desde que o relacionamento com a Deidade traz consequências no relacionamento social. A Moralidade utiliza e influencia a Religião desde que a religião possui o poder de reforçar as exigências da Moralidade com conteúdos espirituais. Desta forma, Religião e Moralidade se influenciam mutuamente e a consequência é que nem tudo que a Religião prega é espiritual, mas tão somente moral, e a Moralidade muitas vezes exige uma conduta que é mais própria da Religião.

Uma Relação Social

Como começamos a indicar no ponto anterior que ambos, Religião e Moralidade, têm a ver com a sociedade, pois ambas demandam atitudes a nível social. A relação social entre Religião e Moralidade se expressa na criação daquilo que chamamos uma consciência social, ou seja, o conjunto de regras sociais que ditam a conduta de todos. Tanto a Moralidade como a Religião possuem funções sociais distintas e conjuntas, as ultimas fazem parte da já mencionada consciência social as distintas, podem ser vistas assim: A função social da Religião é espiritualizar a sociedade, no sentido de propor princípios espirituais que regulem o comportamento social. A palavra divina no Antigo Testamento, confirmada pelo Novo, dizendo: “Sede vós perfeitos, como Eu Sou perfeito” é um exemplo dessa injunção religiosa com efeitos socializantes. A função social da Moralidade é tornar a convivência social suportável e cada vez mais agradável (embora o que aconteça, muitas vezes, é exatamente o contrário, pelas muitas restrições que cria) a todos. Religião e Moralidade são duas plataformas essenciais para uma convivência social satisfatória.

Uma Relação Processual

Desde que seres humanos vivem no tempo e no espaço, constantemente fazendo história, não se pode negar que outro aspecto da relação entre Religião e Moralidade é o aspecto processual, histórico. Embora a História seja cíclica, é, também, em geral, progressiva. Certamente que há regressões localizadas, mas em geral, há um progresso que se expressa na civilização como um todo. Moralidade e Religião têm muito a ver com esse progresso, que é característica da natureza evolutiva de ambas. Religião, em si mesma, seja com ou sem a influência Revelação, progrediu do animismo ao monoteísmo, da diversificação para unificação, o que se reflete na civilização hodierna, com o que chamamos de ecumenismo. A Moralidade também evoluiu. Em termos gerais progrediu do individualismo selvagem para socialismo comunitário (independentemente de sistemas políticos-financeiros). Não importa quantos recessos a civilização humana possa experimentar, se ultimamente não se destruir a si mesma, sempre será capaz de retomar sua marcha progressiva. A Moralidade e a Religião sempre exercerão um papel preponderante nesta marcha incessante.

É impossível desvincular a Religião da Moralidade porque a primeira inevitavelmente se expressa no campo da conduta, a qual é regida, mormente, pela segunda. E por ser esta vinculação inextrincável, é impossível também desconsiderar a influência que uma exerce sobre a outra. Ainda que a Moralidade dê forma comportamental aos conteúdos religiosos, ela não deveria dar forma à Deidade, por que a concepção dessa não deveria ser fruto de projeção, mas sim de Revelação. Contudo, no processo evolutivo da Religião vemos que a ideia da Deidade começa com uma busca, adquire forma através da projeção e se aproxima da realidade através de Revelação. A Religião, em última instância deveria ser exclusivamente pessoal e sua expressão externa, uma negociação com a consciência social. A Moralidade é útil ao ser humano, mas os seus conteúdos deveriam, a rigor, serem frutos da orientação do Espírito de Deus que habita em cada ser humano normal, sugerindo em cada decisão, a que mais se aproxima da vontade de Deus. Isso significaria a espiritualização da Moralidade. Todavia, enquanto os conteúdos morais e religiosos forem concebidos por seres humanos com o intuito de controlar os outros, e não de aperfeiçoar a si mesmos, religião e moralidade serão tão somente ideologias.

Rev. Jose Oliveira é pastor presbiteriano, diretor do Instituto Teológico Simonton online, transmitindo desde Chicago, USA. Se você gostaria saber mais a respeito dos temas discutidos neste artigo, considere estudar no Instituto Teólogico Simonton, cujos programas frequentemente abordam temas como estes, desde uma perspectiva bíblica e teológica. Para acessar o site, siga o link abaixo.

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Saturday, February 18, 2012

A Verdade

Pelo Rev. Jose Oliveira, M. Div.
verdadeVerdade... Um conceito tão importante, tão admirado, tão exaltado, tão pouco entendido e tão pouco praticado! Quando Jesus foi perguntado por Pilatos “O que é a verdade?” Jesus respondeu com silêncio. Ele tinha os seus motivos para não responder… Mas eu, hoje, humildemente vou me aventurar neste dificil campo. Existem várias maneiras de definir o que é verdade. Primeiro, por oposição: verdade é o oposto da mentira e falsidade. Depois, por afirmação: verdade é a exata correspondência entre uma idéia e fato (entre a idéia e o objeto desta idéia). Mas, qual seria função da verdade? Para que serve a verdade? Em primeiro lugar descobrir a verdade traz segurança de que você esta lidando com algo que é real, não uma ilusão (isso vale até mesmo quando você encontra a verdade a respeito de uma ilusão; você sabe que está lidando com uma ilusão, não com algo real). Além disso, a verdade traz satisfação. Jesus disse: “Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará”. A verdade liberta, até mesmo quando ela pode leva-lo à prisão: este é o motivo porque pessoas com consciência confessam os seus crimes -- por que desejam se libertar da culpa -- e, neste afã, confessam a verdade, o primeiro passo para isso. Por fim, a verdade inspira. Todo descobrimento da verdade inspira a busca de outras verdades. Nesta oportunidade, gostaria de trazer algumas reflexões a respeito da verdade. Eis aqui a definição básica que guiará essa reflexão: Verdade é um conceito intelectual que expressa a origem, substância e propósito últimos de todos os seres, coisas e fenômenos.

Comecemos por afirmar que, para nós, seres humanos, a verdade é uma formulação intelectual. Existe uma diferença ontológica entre a coisa em si e o seu conhecimento. É a diferença entre Ontologia e Epistemologia. Somos incapazes de conhecer as coisas externas em si mesmas. Para tanto teríamos que nos tornar essas coisas mesmas. O máximo que podemos conhecer a respeito das coisas é através do nosso relacionamento com elas; aí, temos uma experiência em relação àquele objeto. Portanto, a verdade é uma formulação intelectual a respeito de algo. A nossa formulação da verdade depende de alguns pressupostos. Primeiramente dependerá da qualidade da informação que temos para a formulação da verdade. Se essa informação é fundamentada em fontes confiáveis (autoridades), este é um passo em direção à verdade. Depois, há o processo da formulação da verdade. Quanto mais imparcial for este processo, mais chances há de se conhecer a verdade. E por fim, há a finalidade dessa busca. A verdade se basta. Se qualquer busca da verdade tiver outra agenda do que a própria verdade, essa busca está comprometida e, portanto, a formulação da verdade será comprometida.
 
A seguir, a outra afirmação que se faz necessária a respeito da verdade é que, para seres humanos, a verdade sempre será relativa. Essa relatividade decorre da própria condição e subjetividade humana. Ainda que você esteja assumindo a verdade formulada por outros, a compreensão dessa formulação será a sua compreensão, portanto subjetiva. Qualquer formulação da verdade depende da base de informação que o indivíduo possui para construir novas concepções. Assim, a formulação da verdade dependerá da qualidade e quantidade dessa informação previamente armazenada no intelecto. Jesus Cristo quando ascendeu aos céus, nos enviou o seu Espírito da Verdade, que nos “guiaria a toda verdade”. Veja-se que não diz: “daria” toda verdade. O Espírito da Verdade não transmite a verdade, embrulhada de presente. Ele o guia nesta busca. Mas é você, utilizando as informações que já possui, quem formula o seu conceito de verdade.
Por último, afirmemos que Deus é a verdade absoluta. Deus sendo a não-originada Origem de tudo, o Ser de quem todas as realidades foram geradas, e o fim de Si mesmo (Deus não existe para alguma finalidade em particular), é a Verdade Absoluta. Seres humanos, ainda que através de Jesus Cristo, um dia se receberão em si mesmos a natureza divina, e assim conhecerão a natureza de Deus. Este conhecimento, entretanto, ainda que se prolongue por toda eternidade, será sempre um conhecimento finito do Infinito. Portanto, o máximo conhecimento que eternamente teremos de Deus, será sim, verdadeiro, mas será sempre parcial, por que nunca poderemos abranger a natureza absoluta de Deus. Para isso teríamos que ser deuses exatamente como Ele é, e sabemos que só existe UM Deus, o Deus vivo e verdadeiro, criador de todas as coisas; nosso Pai, por intermédio de Jesus Cristo, o Soberano Senhor deste Universo.

O conhecimento humano da verdade é, e sempre será, processual, relativo, finito. Somente Deus possui conhecimento absoluto, pois Ele é absoluto em Si mesmo. Ao finalizar esta reflexão deixe-me dizer que o fato de que nosso conhecimento da verdade seja ultimamente relativo e limitado, não quer dizer que seja falso, é, contudo, provisório, especialmente a respeito de Deus, por que sempre há mais que conhecer a respeito dEle. Qualquer conhecimento humano da verdade, portanto, é aquele que é possível para aquela condição particular de cada um de nós. Mesmo o ateu, quando afirma que não há Deus (na verdade uma negação da existência de Deus) essa será a sua verdade, porque, após o julgamento divino, para ele, não haverá Deus de fato. Espero que essa reflexão nos ajude a todos a sermos mais humildes a respeito de nossas “verdades”. Não é tão importante que eu saiba a verdade a respeito de tudo, mas é sumamente importante que eu CREIA na Verdade Absoluta, que é Deus.
 
Rev. Jose Oliveira, é pastor presbiteriano ordenado e o diretor do Instituto Teológico Simonton. Ele é brasileiro-americano, vivendo nos Estados unidos desde 1995. Possui um Mestrado em Divindade outorgado pelo Northern Baptist Theological Seminary, Lombad, IL , USA.